Sean Astin com barba


WooF!
Não se passa nada na margem sul...
Estes suburbanos até que são simpáticos e tudo, mas têm coisas muito diferentes... chamam Metro ao eléctrico, café abertos toda a noite? esquece lá isso! (minha rica merendeira!), Os bares gays são mistos, não podes sair à rua às 3 da manhã... quer dizer, poder podes, mas no outro dia tens a vizinha abelhuda - "Saiu tarde ontem...". As pessoas da margem sul são simpáticas, mas qb (argh!)... não existe aquele "tou-me completamente a cagar pa ti!" tão característico e adorável de Lx...
E a confusão? é só em alturas de festa <-- BORING!
Também é verdade que não saiu muito deste lado, devia sair mais... mas, o que há mais para ver? *hint!* *hint!*
Não existem casas em cima da ponte, e apesar de achar uma casa fluvial o máximo, sinceramente acho pouco prática... De qualquer maneira, há que primeiro, a meu ver, preparar a família. Este, para mim, é um ponto fundamental e sem ele não há casa para mingúem!
O João achou aquela carta muito estranha - "Pede-se a comparência de Vossa Excia, na esquadra de Beja, no dia... ...prestar declarações..." - Mas no dia em questão lá foi ele. Estava muito calor, como é próprio em Agosto por aquela terra, não se via viv’alma pelas ruas, a não ser o João, mas sempre pela sombra. Chegou ao portão, identificou-se e mostrou a carta que tinha recebido. Foi então conduzido a uma sala, onde lhe foi dito para esperar.
Passados alguns minutos, tirou o lenço bordado que tinha no bolso para limpar o suor do rosto. Estava mesmo de morrer, o calor. Foi então que entraram dois indivíduos - “Boa tarde” - disse um deles. “Boa tarde” - disse o João. “Ora, eu sou o inspector Joaquim e este é o meu colega, o inspector Jaime”. O inspector Joaquim sentou-se em frente ao João e o outro inspector ficou de pé, encostado à parede, do lado direito do João. Tinham pinta de inspectores: Óculos escuros, blusão de cabedal, palito no canto da boca... tinham a cena montada, entrando como se fosse tudo deles.
O João um pouco intimidado perguntou - “posso saber do que se trata? Eu recebi uma carta vossa...”
- “Sim, claro” - interrompeu o inspector Joaquim - “Mas se não se importa, gostaríamos que respondesse a algumas perguntas primeiro. Você alguma vez deu por falta do seu Bilhete de Identidade?”
- “Sim” - respondeu o João pensativo - “Aqui à dois anos, lembro-me bem.”
- “Onde?” - perguntou o inspector Joaquim.
- “Bem... foi no funeral da minha falecida. Ela foi sepultada em Lisboa, como foi de seu desejo, e lembro-me de ter ido, depois do funeral a um café com um compadre... infelizmente deixei o carro destrancado, e roubaram-me os documentos que lá deixei... aquilo em Lisboa é tramado...”
- “Fez queixa à policia?” - Perguntou novamente o inspector Joaquim.
- “Só dei conta que não tinha os documentos quando cheguei a casa... fiz queixa aqui nesta esquadra na altura... mas encontraram os documentos? É que já tenho outros...” - disse o João
- "Encontramos sim... estavam a ser utilizados por uns bandidos em Espanha..." - disse casualmente o inspector Joaquim.
O João espantado perguntou - "Eu tenho um sósia espanhol?".
- "Não, não" - disse o mesmo inspector com um sorriso - "Eles substituíram a sua foto por uma deles."
- O João ainda mais espantado, fez uma pausa para pensar, e insistiu - "Mas se mudaram a foto, as pessoas não ficavam logo a saber que não era eu? Quer dizer, o nome não dava com a foto!"
- O inspector, franzindo as sobrancelhas, afirmou - "Mas... nem toda a gente o conhece..."
- O João ficou sem reacção durante um momento. "ah pois!" - disse ele a sorrir, lá isso tem razão - "eu raramente vou a Espanha... só lá vou porque a gasolina é mais barata".
Passaram-se alguns minutos de silêncio, enquanto o inspector Joaquim escrevia qualquer coisa numa folha cheia de letras azuis. O João tirou novamente o lenço para limpar o suor. Aquela sala não tinha janelas, nem ar condicionado, estava um forno lá dentro.
- "Você por acaso nunca vendeu o seu Bilhete de Identidade?" - Perguntou o inspector Jaime, do nada.
- "Nem sabia que isso se podia vender! Não é proibido?" - disse o João, um pouco admirado.
- "Sim, é. No entanto tinha que perguntar... para que conste no relatório." - Disse o inspector Jaime, acenado com a cabeça para o outro inspector.
Passados muito pouco tempo, o inspector Joaquim, levantado a cabeça dos papeis disse - "Bem... penso que é tudo. Agradecemos a sua colaboração, e caso seja necessário, entraremos novamente em contacto consigo."
- "Sim senhor..." - disse o João, fazendo uma pausa - "Por acaso não tem ai nenhuma foto desse bandido?"
De imediato os dois inspectores olharam para o João. "Mas, porquê?" - disse o inspector Jaime - "Acha que o pode identificar?"
- "Estou apenas curioso" - disse o João - "Nunca conheci nenhum bandido..."
Com um olhar rápido de aprovação do inspector Joaquim, o inspector Jaime tirou do bolso 5 fotos, e deu-as ao João. Este, levantando-se da cadeira, recebe-as e começou a passa-las de cima para baixo do molho.
Parou na quarta foto. O seu braço, caiu como morto, e com ele as fotos que tinha na mão. Dos seus olhos só se via o branco, e a boca do João abriu-se completamente. Foi ai que começou a perder o equilíbrio. Rapidamente, o inspector Jaime segurou o homem, e surpreso disse - "Você está bem?!?!?". O João voltou a si, tentando ganhar novamente o equilíbrio, apoiou-se na cadeira onde esteve sentado, e como um peso morto aterrou nela, ficando sentado. Levou as mãos à cabeça e disse - "António Santos, teve uma infância infeliz... más companhias... casou feliz, mas a mulher gostava muito de jóias, e foi ai que se tornou gatuno... a mulher faleceu, atropelada por um comboio... não teve uma boa vida, e quando pôde sair dela, não o fez... já estava enterrado naquele modo de vida, não teve coragem para mudar..."
Ambos os inspectores ficaram perplexos.
- "Como é que você sabe isto?" perguntou o inspector Jaime.
O João, ainda meio tonto, mas mais recomposto, disse - "Não sei. Foi o que me veio à cabeça" - após um segundo continuou, tirando as mãos da cabeça, olhando o inspector - "Às vezes, quando pego numa foto de uma pessoa e vêem-me coisas à cabeça... eu digo-as... não sei porquê..."